Olá pessoas... como estão? Espero que tudo bem...
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Eu hoje vou fazer um post diferente, sem figuras, sem "frufrús", sem mesmo nem falar de como está a ra ou de quanto a balança acusou na última vez que subi nela... e sabem porquê? Porque hoje eu quero falar da vida... não que tudo isso não faça parte da vida, mas eu quero falar é da benção de estar vivo...
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Há aproximadamente seis meses, eu tenho usado este espaço pra trocar experiências, conhecer gente nova, buscar e dar ajuda... nesses seis meses, já posso dizer, sem sombra de dúvidas que criei laços de amizade com muitas das que por aqui passam, com algumas um pouco mais estreitos, outras nem tanto... o que é natural... mas nem por isso, menos importantes... e essa rotina de chegar aqui, contar das minhas expectativas, dos meus desejos, dos meus medos, aos poucos, foi assumindo um papel fundamental no processo de mudança que eu estabeleci pra mim...
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Não foram poucas as vezes na minha vida, em que eu precisei parar, pensar, analisar e tomar decisões... as vezes a gente precisa parar e ponderar o que realmente é importante, o que realmente tem valor... e agradecer... agradecer à Deus por todas as oportunidades que temos na vida, por todas as dificuldades que nos ajudam a crescer... nada nessa vida é por acaso...
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Uma boa chacoalhada, as vezes, se faz necessário... e eu acho que foi exatamente isso que aconteceu comigo nesses últimos dias...
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O que eu vou contar aqui pra vcs, não tem o intuíto de fazer com que ninguém sinta pena, comoção... não é preciso! Eu estou bem, e estou tentando tirar uma lição de tudo isso, que eu ainda não sei bem qual é, mas que cá pra nós, tenho minhas desconfianças...
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Considerem que tudo isso que escrevi até aqui, neste post, está escrito sob a ótica de uma pessoa que viu a morte de muito perto... pra quem me acompanha aqui nesse blog há algum tempo, têm sido testemunha da minha constante apreensão durante os dias que antecedem mais uma viagem...
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Há quase um ano, vivemos num clima de tensão, insegurança, medo, desrespeito e total falta de consideração com aqueles que se utilizam do transporte aéreo nesse país... mas até então, mesmo viajando bastante, o máximo de problema que eu tinha enfrentado, eram atrasos de 1 ou 2 horas... nada além...
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Porém, na última quarta feira, às 20:30 h eu deixei minha casa em direção ao aeroporto de Brasília, onde embarcaria num vôo com destino a João Pessoa/PB, fazendo uma conexão em Recife/PE. Me despedi da minha mãe, da minha irmã, da minha sobrinha e da minha cachorra... e ao sair pela porta, não me perguntem o porquê, mas algo me dizia que a noite seria longa... não tenho o hábito de viajar à noite, mas as passagens desta viagem não foram escolhidas por mim...
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Meu pai me levou até o aeroporto, e ao nos despedirmos, nos abraçamos nada mais, nada menos, do que 3 vezes... alguma coisa dentro de mim, me incomodava, uma leve dor no estômago, uma sensação de mal estar, mas que eu atribuí à gripe, que tinha me pegado de jeito... No aeroporto, encontrei com o meu colega, que viajaria comigo... tudo estava saindo dentro do combinado... embarcamos com apenas 20 minutos de atraso... num vôo tranquilo até Recife, apesar da chuva que caía... lá, desembarcamos, e imediatamente embarcamos no avião que nos levaria até João Pessoa, com chegada prevista pra 1:10 h da manhã...
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Tão logo o avião decolou, o comandante avisou que o vôo teria duração de 16 minutos... tudo perfeito, sem nenhum problema... ao aproximar-se do tempo estipulado, o comandante deu ordens à tripulação para procedimentos de pouso... o avião começou a descer, desceu... quase chegou ao solo... e arremeteu... sensação estranha de desconforto... o que teria acontecido? Pela janela do avião, escuridão e chuva batendo no vidro... passado mais alguns minutos, uma descida brusca, daquelas de doer o estômago... avião balançando, nova aproximação ao solo... e mais uma arremetida... nenhuma informação, ninguém falava o que estava acontecendo... eu já não sentia mais minhas pernas, minhas mãos tremiam, e eu rezava... pedia à Deus que nos protejesse naquela hora... turbinas trabalhando a todo vapor, barulho estranho, nova descida, nova tentativa e mais uma arremetida... o vôo que seria de 16 minutos, já durava mais de 50... e inacreditavelmente, nenhuma informação era passada aos passageiros... embora, todas as luzes de chamada de comissárias estivessem acesas...
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Após alguns instantes, o comandante avisa que o vôo está retornando pra Recife... onde mais uns 15 minutos, pousa em segurança, debaixo de muita chuva, pra alívio não só meu como de todos os outros que ali estavam... a explicação: não haviam condições metereológicas para pouso em João Pessoa, o aeroporto é precário, e por isso, apesar de várias tentativas, não foi possível pousar...
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Nessas horas, dúvidas do tipo: as condições metereológicas mudaram em menos de 16 minutos? Isso não poderia ter sido evitado, com um pouco mais de prudência? Esse vôo não era nem pra ter decolado de Recife... A vida dos passageiros e da tripulação à mercê de pessoas que contabilizam números, prejuízos, ao invés de contabilizar vidas... São perguntas sem respostas, até agora...
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Mesmo em terra, somos obrigados a permanecer dentro do avião, por mais aproximadamente 1 hora, pois a companhia ainda tinha a expectativa de que o vôo pudesse decolar novamente... mesmo com os insistentes pedidos que de isso não fosse feito, pois nossas vidas valiam mais que qq prejuízo que a companhia poderia ter com despesas de hotel ou coisa do tipo, pra acomodar os passageiros... depois de muita pressão, fomos autorizados a ir pro saguão... horário? aproximadamente umas 3 horas da manhã...
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Chegando no saguão, impensadamente, liguei pro meu pai, nervosa e chorando... precisava falar com alguém... não consegui nada além do que deixá-lo nervoso aqui, sem nada poder fazer... mais tempo se passou, a madrugada avançava, e já eram quase 4 da manhã qdo nos foi comunicado que o vôo havia sido cancelado e que o transporte dos passageiros seria feito via terrestre (JP fica à 120 Km de Recife)... enquanto aguardávamos o tal transporte, a indignação foi tomando conta dos passageiros... crianças, idosos em cadeiras de rodas, uma senhora passou muito mal e foi levada em estado grave para o hospital... coisas que só faziam piorar aquele ambiente todo... já passava das 4 e meia quando o transporte chegou... Eram "vans"... sim, não se dignaram nem em fretar um ônibus... várias "vans", umas 6 ou 7, encostaram na rua, e ali, desorganizadamente, fomos tomando nossos lugares... alguém acha que o drama tinha acabado? Meio de acesso à João Pessoa: BR-101... noite, tempestade... estrada perigosíssima, com um grande movimento de caminhões, que cada vez que passavam por nós, faziam aquelas "vans" balançar de um lado a outro da estrada...
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Sinceramente, achei que não mais veria a luz do dia... tinha escapado do perigo do avião, mas será que escaparia do perigo da estrada??? Meu coração apertado não tinha jeito de sossegar... já passava das 6 e meia qdo, finalmente, chegamos a João Pessoa... ainda bem que nosso compromisso era só a tarde, e foi possível tentar descansar um pouco pela manhã... depois que liguei pra casa novamente, pra dar notícias, sentei na cama do hotel... e chorei... chorei numa tentativa de colocar pra fora toda aquela tensão... estava ali sozinha, longe de casa, tão vulnerável... nunca me senti tão só em toda a minha vida... a única certeza que eu tinha, e que eu já sabia, é que Deus é Pai, e não tinha me abandonado...
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Ao recordar tudo que eu tinha vivido naquela noite, mais vontade de chorar eu tinha... dentro daquele avião, pensei em tantas coisas, um filme da minha vida passou pela minha cabeça... pensei muito no meu primo que morreu no desastre do avião (que eu já contei aqui) numa madrugada de chuva... e pensava: será que vou ter o mesmo desfecho? Aos poucos, fui conseguindo relaxar... tomei um banho bem quente, deitei e tentei dormir... dei umas cochiladas, mas ainda estava muito agitada...
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Lógico que à tarde, não fiz o melhor de mim na apresentação do Programa que fui fazer... mas dei conta do recado. À noite, pegamos um ônibus em direção a Natal... tudo bem que o ônibus quebrou, e tivemos que trocar de carro no meio do caminho, mas chegamos bem em Natal, por volta das 10 h da noite... No outro dia já estava um pouco mais recuperada, consegui dormir melhor naquela noite, e com certeza, a reunião em Natal foi bem melhor... Porém, conforme o tempo foi passando, e a hora de ir pro aeroporto se aproximando, meu coração começou a apertar de novo... em tão pouco tempo, lá estaria eu de novo, dentro de um avião... o vôo de volta pra casa, o vôo em si, foi tranquilo... mas era pra ser direto, e ter saído de Natal às 14 h. saiu às 17:30 h e ainda mudaram a rota, incluindo uma escala em Palmas, o que só me fez chegar me casa quase 10h da noite de ontem...
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Como cheguei? Esgotada, estressada, visivelmente abatida, com olheiras... mas ao mesmo tempo, estava feliz por estar em casa de novo, por poder mais uma vez abraçar minha família, dormir na minha cama...
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A vida da gente é tão frágil qto um cristal... em fração de segundos, tudo pode acontecer... por isso, não podemos deixar pra viver amanhã o que podemos viver hoje... nunca sabemos quando será a última vez... por isso, diga "eu te amo" pra quem vc ama... diga "obrigada" pra quem merece... não economize um abraço, um beijo, um carinho... a vida é hoje, agora... o ontem já passou, e o amanhã, a gente não sabe se chega...
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No próximo post, volto a falar sobre a ra... fiquem com Deus, e não duvidem nunca que Ele está sempre guiando nossos passos!!!!!
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PS: desculpem pelo tamanho do post... só agora, qdo acabei de escrever, vi que ficou enorme... perdoem-me!